terça-feira, 26 de junho de 2018

Homônimos e Parônimos

Homônimos são palavras que apresentam significados diferentes, mas que são pronunciadas da mesma forma, como cem e sem. Parônimos são também palavras que apresentam significados diferentes, mas que são pronunciadas da forma parecida, como comprimento e cumprimento.
 

segunda-feira, 21 de maio de 2018

“Implicar” / “Implicar com” / “Implicar em”


Errado: O acidente implicou em várias vítimas. 

Certo: O acidente implicou várias vítimas. 

Por quê? No sentido de acarretar, o verbo implicar não admite preposição. No sentido de ter implicância, a preposição exigida é com. Quando se refere a comprometimento, deve-se usar a preposição em.

Exs: Ele sempre implicava com os filhos. Ela implicou-se nos estudos e passou no concurso.

quinta-feira, 22 de março de 2018

Uso dos porquês

Atendendo a pedidos... 

Porque, porquê, por que ou por quê?

 Devemos usar porque (junto e sem acento) quando se tratar de conjunção subordinativa causal ou explicativa, que pode ser substituída por: visto que, uma vez que e por causa de que, entre outras.
Exemplos:
  • Choro porque machuquei o pé.
  • Choro visto que machuquei o pé.
  • Ela não foi à escola porque estava chovendo.
  • Ela não foi à escola uma vez que estava chovendo.
Devemos usar porquê (junto e com acento) quando se tratar de um substantivo masculino, podendo ser substituído por: causa, motivo, razão. Aparece quase sempre junto de um artigo definido ou indefinido, podendo também aparecer junto de um pronome ou numeral.
Exemplos:
  • Todos riam muito e ninguém me dizia o porquê.
  • Todos riam muito e ninguém me dizia a razão.
  • Gostaria de saber os porquês dela ter sido mandada embora.
  • Gostaria de saber os motivos dela ter sido mandada embora.
Devemos usar por que (separado e sem acento) quando se tratar da preposição por seguida do pronome relativo ou interrogativo que. Enquanto pronome relativo, pode ser substituído por: por qual ou pelo qual. Enquanto pronome interrogativo, pode ser substituído por: por qual motivo ou por qual razão.
Exemplos:
  • Não achei o caminho por que passei.
  • Não achei o caminho pelo qual passei.
  • Por que você não foi dormir?
  • Por qual razão você não foi dormir?
Devemos usar por quê (separado e com acento) quando se tratar da preposição por seguida do pronome interrogativo quê, quando este for tônico e aparecer no final da frase, seguido de ponto final ou ponto de interrogação. Pode ser substituído por: por qual motivo ou por qual razão.
Exemplos:
  • Você não comeu? Por quê?
  • Você não comeu? Por qual motivo?
  • O menino foi embora e nem disse por quê.
  • O menino foi embora e nem disse por qual razão.
 

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Curiosidades etimológicas

Qual é a origem da palavra piscina? E o que significa o elemento “dromo” de autódromo, hipódromo, sambódromo e camelódromo?

1) Piscina vem de peixe. Na sua origem, piscina é um “viveiro de
peixes”. É um reservatório de água onde era comum criar peixes. Hoje em dia, designa também um tanque artificial para natação. Em razão disso, nós fomos para a piscina e pusemos os peixes no aquário, que vem de água.

Além da piscina, é bom lembrarmos outras palavras derivadas de peixe: pisciano (quem nasce sob signo de Peixes); piscicultura (arte de criar e multiplicar peixes); pisciforme (que tem forma de peixe); piscoso (lugar em que há muito peixe).

2) Dúvida de muitos: “O elemento de composição dromo, de
origem grega, tem o significado de “lugar para correr”, como atestam os bons dicionários. Assim existem as palavras autódromo, velódromo, hipódromo...

Entretanto, o popular, nos últimos anos, fez a criação de sambódromo, camelódromo, para designar, respectivamente, o lugar onde as escolas de samba desfilam e o lugar onde se reúnem os camelôs. Esses neologismos, que estão sendo incorporados ao idioma, estariam “errados”, já que o que se faz num sambódromo e num camelódromo não é nenhuma corrida.”

A crítica se deve à alteração do sentido original do elemento “dromo” (=pista, lugar para corridas). Daí o autódromo, que é o local próprio para corridas de automóveis; o hipódromo, que é a pista para corrida de cavalos; velódromo, para corridas de bicicletas.

Hoje em dia, “dromo” passou a designar apenas o “lugar”, e não mais a pista: sambódromo é o lugar para os desfiles de escolas de samba (não há a necessidade de nossos sambistas desfilarem “correndo”); camelódromo é o local próprio para os camelôs venderem suas mercadorias (lá, os camelôs não precisam fugir “correndo”); fumódromo é o local apropriado para os fumantes (não significa que é preciso fumar “correndo” para voltar logo ao trabalho).


A língua é viva. Em razão disso, não há nada errado em uma palavra ou elemento formador ganhar novos sentidos e usos. É dessa forma que as línguas evoluem e se transformam com o passar dos tempos. A língua portuguesa que falamos hoje não é a mesma dos nossos avós, não é a mesma dos tempos de Machado de Assis e José de Alencar, muito menos da época de Camões.

As mudanças fazem parte da evolução das línguas vivas. Isso é natural.

Cuidado para não cair em armadilhas!

1ª) Policiais não deteram os criminosos.
                   Deve ser por isso que os criminosos fogem. O verbo DETER é derivado de TER, logo deve seguir sua conjugação. Se eles TIVERAM, o correto é DETIVERAM.

2ª) Foram chamados os que ainda não deporam na CPI.
                   Assim ninguém vai depor. Os derivados do verbo PÔR devem seguir sua conjugação. Se eles PUSERAM, o correto é DEPUSERAM.

3ª) O juiz já interviu no caso.
                   Se “interviu”, foi mal. O verbo INTERVIR deve seguir a conjugação do verbo VIR. Se ele VEIO, “o juiz já INTERVEIO no caso”.

4ª) Ele não tinha intervido no caso.
                   Assim não dá. O particípio do verbo VIR é VINDO (igual ao gerúndio). O correto, portanto, é “Ele não tinha INTERVINDO no caso”.

5ª) Está prevista uma paralização para a próxima semana.
                   Será um fracasso. Se paralisia se escreve com “s”, as palavras derivadas devem ser grafas com “s”: paralisar e PARALISAÇÃO.

6ª) Ele luta por sua ascenção profissional.
                   Assim fica difícil. Os substantivos derivados de verbos terminados em “-ender” (apreender, pretender, compreender, ascender) devem ser escritos com “s”: apreensão, pretensão, compreensão, ASCENSÃO.

7ª) Viajou a Tókio.
                   Não conheço essa cidade: com acento e “k”. Isso não é português nem inglês, que não tem acentos gráficos. A forma aportuguesada é TÓQUIO.

8ª) Era lutador de karatê.
                   A letra “k” não combina com acento gráfico. É mistura de inglês com português. A forma aportuguesada é CARATÊ.

9ª) Vire a esquerda.
                    Aprender crase em placa de trânsito é um perigo. Formas femininas que indicam “lugar, direção” recebem acento indicativo da crase: “Vire à esquerda”.

10ª) Obras à cem metros.
                   Não disse que placa de trânsito é um perigo? Não põe o acento da crase quando deve, e põe quando não deve. Antes de palavras masculinas, não há crase: “Obras a cem metros”.


Por Sérgio Nogueira

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Sub-item, sub item ou subitem?

A grafia correta é sem espaço e sem hífen: subitem, assim como subirrigação, subintendente, subaluguel, subemprego, subequatorial, subagência, subalimentação, subagudo, isso porque diante de um substantivo ou adjetivo iniciado por vogal não se usa o hífen depois do prefixo SUB.

O hífen, no caso de SUB, deve ser empregado diante de R ou B, por isso escrevemos sub-reitor, sub-reptício, sub-rogar, sub-rotina, sub-repasse  [se escrito junto, a pronúncia ficaria como em /sobre/ ] e sub-base, sub-bloco, sub-bibliotecária etc.

Mais estranho ainda é escrever subumano, subumanitário, não é? A lei assim determina, mas também são aceitáveis as variações sub-humano e sub-humanitário – formas menos usadas, segundo o dic. Houaiss (2002).

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Em cima ou encima?

Se você respondeu que as duas formas estão corretas, acertou! Em cima e encima existem e, apesar das semelhanças, têm significados diferentes. Observe alguns exemplos:

Os livros foram deixados em cima da mesa
ou
Os livros foram deixados encima da mesa?

Nessa situação específica, a intenção enunciativa era a de dizer que o livro fora deixado sobre a mesa, ou seja, a expressão em cima atuou como um advérbio de lugar. Escrita assim, de forma separada, em cima transmite a ideia de que algo está em uma posição mais elevada, ou seja, em um lugar mais alto. Portanto, apenas a primeira frase está correta. Agora, observe outro exemplo:

Um laço vermelho encima o cabelo da menina.
ou
Um laço vermelho em cima o cabelo da menina?

Das duas orações, apenas a primeira está correta. Isso porque encima, escrito de forma junta, é a forma do verbo encimar conjugado na terceira pessoa do singular do presente do indicativo ou na segunda pessoa do singular do imperativo:
Presente do indicativo (verbo encimar)
Imperativo afirmativo
Eu encimo
----
Tu encimas
Encima tu
Ele/ela encima
Encime ele/ela
Nós encimamos
Encimemos nós
Vós encimais
Encimai vós
Eles/elas encimam
Encimem eles/elas
Na frase “Um laço vermelho encima o cabelo da menina”, o verbo encimar está conjugado na terceira pessoa do singular do presente do indicativo. Mas você sabe o que é encimar? É o mesmo que colocar ou se situar em cima ou no alto, bem como o ato de coroar.

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Como flexionar o verbo “haver”?

Um erro muito comum, observado principalmente na comunicação oral, é a flexão do verbo “haver”.

Esse verbo, no sentido de “ocorrer” ou “existir”, é impessoal. Isso significa que permanece na terceira pessoa do singular, pois não tem sujeito. Portanto, é errônea a flexão do verbo no plural. É provável que a origem do erro seja a associação da conjugação do verbo “haver” com os verbos “existir” e “ocorrer”. Estes têm sujeito e, portanto, flexionam-se de acordo com o número e a pessoa.
Exs.:
Ocorrerão mudanças.
Existirão mudanças.
Com o verbo “haver”, a regra é diferente – permanece no singular:
Ex.:
Haverá mudanças.

Como sinônimo dos verbos “ocorrer” e “existir”, portanto, o verbo “haver” permanece invariável.

Não se pode, no entanto, afirmar que o verbo “haver” nunca vai para o plural. Ele pode, por exemplo, desempenhar a função de verbo auxiliar (que indica pessoa, tempo e modo verbal; sinônimo de “ter” nos tempos compostos). Nesse caso, o verbo é conjugado no plural.
Exs.:
Eles haviam chegado cedo.
Eles tinham chegado cedo.

Além disso, como verbo pessoal (com sujeito), pode assumir o sentido de “obter”, “considerar”, “lidar”, ainda que esses usos sejam menos recorrentes:
Houveram (= “obter”)  do juiz a comutação da pena (sujeito: “comutação da pena”).
Nós havemos (= “considerar”) por honesto. (sujeito: “nós”)
Os alunos houveram-se (= “lidar”) muito bem nos exames. (sujeito: “os alunos”)

O verbo “haver”, portanto, precisa ser usado com atenção (especialmente, quando ele é impessoal), para evitar erros gramaticais.



Fonte: CPDEC - Centro de Pesquisa Desenvolvimento e Educação Continuada